Os trabalhadores em greve do Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) fizeram uma nova manifestação na manhã
desta quarta-feira no início da Rodovia Tanguá (RJ-116), uma das vias de acesso
ao empreendimento da Petrobras, em Itaboraí, região metropolitana do Rio.
São agora três dias seguidos de obras
paradas. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Montagem,
Manutenção e Mobiliário de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom), cerca de
5 mil trabalhadores participaram do piquete. Eles pedem aumento do piso
salarial em 12%, hoje em R$ 860, e vale-alimentação de R$ 300.
No início da manifestação, um grupo de
grevistas chegou a atacar dois carros de funcionários da Petrobras e ameaçou os
cinco passageiros, informou o delegado Wellington Vieira, da 71ª DP (Itaboraí).
Ninguém ficou ferido. Os carros levavam funcionários do corpo de segurança da
empresa para o complexo, por volta das 6h, quando os manifestantes tentaram
impedir a passagem dos automóveis pelo piquete. Segundo o delegado, o grupo
atacou os carros com chutes, danificando os veículos.
O secretário-geral do Sindicato dos
Trabalhadores da Construção, Montagem, Manutenção e Mobiliário de São Gonçalo,
Itaboraí e Região (Sinticom), Luiz Augusto Rodrigues, disse que o automóvel não
respeitou o pedido dos grevistas para parar e que o motorista teria avançado
com o carro na direção aos trabalhadores.
Não incentivamos essas atitudes. A greve
segue de forma pacífica, apesar do ocorrido explica Rodrigues. - Estávamos lá
para pedir para o pessoal descer do ônibus e aderir à greve. Grande parte dos
ônibus encostou e o pessoal desceu.
Desde a última segunda-feira, as obras do
Comperj estão paradas com a greve de trabalhadores de 24 consórcios contratados
pela estatal. São cerca 15 mil empregados de braços cruzados, segundo o
Sinticom. Nesta quarta-feira, funcionários do setor de alimentação do Comperj
também teriam aderido à greve, provocando a dispensa de funcionários que estavam
no complexo, segundo a CSP-Conlutas.
Com o piquete realizado no trevo que fica no
início da Rodovia Tanguá, o trânsito ficou lento na região, com dezenas de
ônibus que levariam os funcionários ao Comperj parados no acostamento da
rodovia. A via também liga Itaboraí a municípios como Cachoeiras de Macacu e
Nova Friburgo, na região Serrana do Rio. A rodovia é privatizada e gerida pela
Rota 116.
Segundo o Sinticom, uma assembleia deve ser
realizada nesta quinta-feira e outra na segunda-feira para determinar o rumo da
greve. O sindicato dos trabalhadores quer que a Petrobras participe da
negociação, mas a estatal tem evitado se envolver diretamente na greve.
Na terça-feira, o Sindicato das Empresas de
Engenharia de Montagem e Manutenção Industrial do Estado do Rio de Janeiro
(Sindemon) e o Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) -
que representam os consórcios envolvidos na obra mantiveram a oferta de 9% do
piso salarial e vale-alimentação de R$ 280 para a data-base. Em nota,
informaram que pretendem convencer os funcionários a aceitar a proposta.
Essa não foi a primeira manifestação dos
funcionários por melhores salários. Paralisações parciais em alguns consórcios
ocorreram em novembro, janeiro e fevereiro. No começo da negociação sindical,
os trabalhadores pediam aumento salarial de 18%, enquanto que os empregadores
ofereciam 8,5%.
A obra, que em seu cronograma original previa
conclusão em março de 2012, agora tem como meta de finalização outubro de 2014.
O Comperj é avaliado em R$ 22 bilhões.
Fonte:
Bruno Villas Bôas / Agência O Globo

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